sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Tranquila e Infalível como Bruce Lee!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Dor de ombro! Não sei se posso comparar a emoção de Clarice ou se ofereço à piedade sobre as paredes desse museu, que sustentam quadros sem reclamar.
Só posso chamar de 'já foi o tempo'. Contemplo os quadros ou eles me contemplam?
Vou sair pro dia. Só espero que chova, ou então dará em nada ter saído sem guarda-chuva.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

INADIMPLÊNCIA LITERÁRIA

Minhas idéias ainda são poucas e pardas.
Me atrapalho toda com essa cisma particular de organização em contradição com minha brutal preguiça para tarefas de limpeza. Não gosto de vestir a Dona Maria. Não gosto.
Estive pensando... O que difere um blog muito lido de outro pouco visitado?
Acho que escrevo para mim mesma. Para o meu agrado, apenas. E isso impede que as pessoas sintam-se embaladas por minhas letras soltas. Ainda mais se tratando de um blog com cara de historinha para criança.
Agora a pouco, destacava eu, uma frase do livro "O homem duplicado" do Saramago, que dizia o seguinte: "Só um senso comum com imaginação de poeta poderia ter sido o inventor da roda".
Que escritor poderia exigir (em completa harmonia com esse mesmo senso comum) que os demais leitores aprovassem tais subtilezas num texto desses, que não corre nem leve nem tenso demais?
Pouca suficiência para exigência tanta. Além disso, caio sempre nos cacuetes literários. Troco verbos, substituo sequências, apelo para metáforas esdrúxulas.
Não posso exigir nada, nem que me leiam, vocês. Mas eu aposto que o fim dos tempos tem a ver com aquele mundo onde todos esquecem de ler...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A FLOR E A NÁUSEA

Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que triste são as coisas, consideradas em ênfase.

Vomitar este tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam pra casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens macias avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

Carlos Drummond de Andrade

Uma flor no asfalto


Faltam palavras que sejam na troca a elevação de um sentimento humano puro, no entanto, em contrapartida de exaltação, sobram as sílabas de desabafo político/emocional. Aquelas que nos permitem gritar a quem quer que seja um choro minguado, uma mágoa escondida, mas sincera, acabam em minutos de discurso furado. É fácil se comover, mas revolução não se faz apenas com revolta interior, ajuda não se dá apenas com piedade e compaixão. Faltam palavras de amor e faltam, sobretudo, atitudes que salvam.
"A construção da paz começa no coração das pessoas e tem seu fundamento no amor, que tem suas raízes na gestação e na primeira infância, e se transforma em fraternidade e responsabilidade social. A paz é uma conquista coletiva. Tem lugar quando encorajamos as pessoas, quando promovemos os valores culturais e éticos, as atitudes e práticas da busca do bem comum", disse Zilda Arns minutos antes de morrer.
E onde está esse bem comum? A Pastoral da Criança, fundada por Zilda e promovedora da ação social, atua em mais de 4.000 municípios no país, atendendo crianças, famílias e comunidades pobres. Assim acontece, quando os evangelhos, as folhas sagradas, os testemunhos santos e demais palavras de fé, não são proferidas na tentativa de favorecer uns e poucos. Assim também acontece quando as ideologias, os símbolos partidários e os recursos políticos não se tornam mais uma oportunidade para alavancar tantos outros, uns e poucos.
E quem poderia prever que muito desses ‘males’ são por excesso de paixão? Parecem-me certos os filósofos que defendiam o equilíbrio para manter a harmonia. Mas nem uma teoria é fundada por si só e tantas são aquelas que só frutificam baseadas no caos. Infelizmente as reconstruções psicológicas não se refazem com tijolos e doações milionárias, nem as enciclopédias deixam de lado os tremores da natureza e as catástrofes humanas. Não será esquecido. O sofrimento não é coisa que se esqueça fácil. Até porque ele ainda acontece e eu nunca vi pássaro filhote que se acalmasse antes da minhoca na boca.
Eu quero viver bem mais e poder ver uma flor nascer das ‘montanhosas terras’ que viraram escombro.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

JAMES BOND:SENTIMENTAL DEMAIS?


Num 20 de setembro que acabou com 'pisoteio de bosta' e aquela já tradicional voltinha de cavalos pela Av. Brasil de leste a oeste, em direção à glória gaúcha, escrevo meu último texto deveras sentimental! Aja ufanismo pra suportar tanta falta de sentido. Mas ninguém questiona não é? Ora, ninguém quer se questionar, afinal é muito mais cômodo assumir a bombacha e a boleadeira dos pampas e comer churrasco nos fins de semana, do que buscar meia dúzia de perguntas existenciais.
Mas quando as crises psicológicas se assentam o protótipo do Ser berra mais alto que a estética das aparências. E aí meu bem, é inevitável que a velha charada se faça: - Afinal, quem sou eu? Shakespeare com seus personagens, Einstein com suas teorias, Nietzsche com suas negações, Tio Patinhas com seus cifrões, todos já se perguntaram, e sequer o embriaguem-se de Baudelaire nos respondeu. O que é Ser e estar no Ser, simultaneamente, em consciência e sentido?
"Meu nome é Bond, James Bond". Já imaginaram uma crise existencial no agente mais sedutor, viril, atlético, matador, cercado de mulheres e improvável criatura? 007 não se daria o luxo! Assim como Indiana Jones, Jack Sparrow, Tom Cruise, Xuxa para os 'baixiiiinhus'. Todos eles devem saber muito bem quem são e o que fazem.
Não quero dizer que esses 'heróis' são criaturas inquestionáveis, nós é que criamos uma bolha iluminada ao redor deles. Vejamos nossos pais. Eles eram ‘Deuses’ até o dia em que conseguimos sozinhos enxergar a cara no espelho e escovar os dentes. Assim Curinga, Tom, Venom, Dick Vigarista e todas as forças do mal ou os caricatas anti-bem, viveriam em crises de sentido.
Quero dizer mais, quero dizer que nesses mergulhos metafísicos está a constituição de cada um. O que não descobrimos ou ovacionamos como caso consumado, também é um estado de (dês) entendimento que pretende preencher nossos vazios. Uma pergunta sem resposta também é uma resposta à pergunta, uma dúvida não resolvida também é um caminho percorrido.
Muitos chamam de pessimismo uma realidade observada. Muitos chamam de eufemismo um defeito disfarçado. É a densidade dos meus pensamentos que me incluem na parte do terço de pessoas do mundo que apresentam sintomas de depressão. Encaixo-me na minoria depressiva que tem seus dilemas postos por imposições interiores e não apenas por problemas externos. E isso não me enquadra na ala individualista que canta o refrão "cada um por si", muito menos me aprisiona no estado de tristeza que canta o outro refrão "o mundo é uma bosta".
Saindo da tradição histórica redescoberta e chegando ao existencialismo profundo de almas inquietas, roubo a poética de Amarante e sua canção de bolso:
"Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir"

domingo, 20 de setembro de 2009

e mais uma noite insone e insuportável.

não era um blog sentimental, mas não consigo falar de política se não sinto amor. não sei inventar futebol se não tenho a inspiração do que me faz bem.
só pretendo fugir dessa confusão...

"Vou levando assim
Que o acaso é amigo do meu coração"


que seja boa a noite e doce o dia!