segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Uma flor no asfalto


Faltam palavras que sejam na troca a elevação de um sentimento humano puro, no entanto, em contrapartida de exaltação, sobram as sílabas de desabafo político/emocional. Aquelas que nos permitem gritar a quem quer que seja um choro minguado, uma mágoa escondida, mas sincera, acabam em minutos de discurso furado. É fácil se comover, mas revolução não se faz apenas com revolta interior, ajuda não se dá apenas com piedade e compaixão. Faltam palavras de amor e faltam, sobretudo, atitudes que salvam.
"A construção da paz começa no coração das pessoas e tem seu fundamento no amor, que tem suas raízes na gestação e na primeira infância, e se transforma em fraternidade e responsabilidade social. A paz é uma conquista coletiva. Tem lugar quando encorajamos as pessoas, quando promovemos os valores culturais e éticos, as atitudes e práticas da busca do bem comum", disse Zilda Arns minutos antes de morrer.
E onde está esse bem comum? A Pastoral da Criança, fundada por Zilda e promovedora da ação social, atua em mais de 4.000 municípios no país, atendendo crianças, famílias e comunidades pobres. Assim acontece, quando os evangelhos, as folhas sagradas, os testemunhos santos e demais palavras de fé, não são proferidas na tentativa de favorecer uns e poucos. Assim também acontece quando as ideologias, os símbolos partidários e os recursos políticos não se tornam mais uma oportunidade para alavancar tantos outros, uns e poucos.
E quem poderia prever que muito desses ‘males’ são por excesso de paixão? Parecem-me certos os filósofos que defendiam o equilíbrio para manter a harmonia. Mas nem uma teoria é fundada por si só e tantas são aquelas que só frutificam baseadas no caos. Infelizmente as reconstruções psicológicas não se refazem com tijolos e doações milionárias, nem as enciclopédias deixam de lado os tremores da natureza e as catástrofes humanas. Não será esquecido. O sofrimento não é coisa que se esqueça fácil. Até porque ele ainda acontece e eu nunca vi pássaro filhote que se acalmasse antes da minhoca na boca.
Eu quero viver bem mais e poder ver uma flor nascer das ‘montanhosas terras’ que viraram escombro.

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