Vinícius tem me ensinado a ouvir lento e compreender rápido, um violão, uma canção e uma poesia. Mas como faz pra viver um grande amor mesmo? Eu não sei remar irmão.
“E o que há de melhor que ir pra cozinha
E preparar com amor uma galinha
Com uma rica e gostosa farofinha...”*
Ah, tenha dó Vinícius. Teus eufemismos machistas não me convencem a levantar da cama depois do amor e preparar um franguinho pra cumprir a rigor as dietas conjugais. A minha bossa talvez seja nova demais. A modernidade nos ensina a comer nuggets ao meio dia e serviço express à noite.
Já ouviu falar em SPA amoroso? Pois é, deveriam criar um. Assim como perder calorias e eliminar gorduras, aprenderíamos a amar e não enfraquecer com essas coisas todas que a tal palavra fatídica nos trás.
“O amor seria então uma criação fulgurante do tédio e da inocência, feito do carnal recorte da beleza, magnífica de crueldade.”**
Muito mais real e áspero. Um blues para Emmett, uma ausência, um Bocochê. Um canto de Oxum, um Samba da benção, um Catendê. Ou como dizia o poeta em alto e bom tom:
“Mas tem que sofrer
Mas tem que chorar
Mas tem que querer
Pra poder amar”***
* Para viver um grande amor,composição: Vinícius de Moraes e Toquinho
** Mada/2006
*** Tempo de amor (samba do veloso), composição: Vinícius de Moraes e Baden Powell
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Um porto em cores num sol de amores.

Muito romântico um final de tarde nas beiras calmas (e poluídas) do rio Guaíba. Enquanto casais de alta classe exibem suas lanchas na bela água em que flutuam, namorados românticos seduzem pretensiosamente seus respectivos com línguadas na bomba e escorregões de cuia na borda da saia ou um passeio de cães junta ainda mais os anos vividos do casal ‘mérito ao amor centenário que quebrou barreiras’, eu, filha do carbono e do aço, fumo vagarosamente meu mallboro light e cuido para que a cinza não caia na água e nem a fumaça chegue aos bares paulistas.
Cassete, multas de excepcionais 150 ‘paus’. O Serra encerrou mesmo a vida social de muitos ‘eu sou Cult e meus óculos não tem lentes de verdade e agora o que faço?’. Bem, um motivo a menos pra tragar um cigarro, um motivo a mais pra detestar políticos barrigudinhos e semi carecas e uma justificativa forte para correr es mi destino y burlar la ley...
Ouvi muita balela esses dias. E nem uma delas me convenceu a levar a sério o senado brasileiro. Nem esquerda nem direita me convencem mais. Aliás, os protestos de hoje em dia não são mais os dos nossos ancestrais. Algum dicionário me disse algum dia que esses movimentos deveriam demonstrar sentimento.Ah, muita gente interessada no coração do seu umbigo mesmo. E foda-se a verba pública desviada, desde que meu time ganhe e o vilão da novela global leve uns tabefes. Adianta dizer eu te pego na saída?
Acho mesmo que o patrimônio histórico artístico cultural ou diabo a quatro não vai ser preservado e a delinqüência vai virar arte de rua. Não é herança colonial nem tratado de D. Pedro II, é burrada atual mesmo, com pessoas que vivem agora e vivem cada vez menos. Bonecos compradores que exibem peças milionárias em suas mansões de luxo e servem caviar para poodles branquinhos, enquanto no ‘trabalho’ arregalam os olhos e apontam o dedo com fúria.
Retrato social é papo furado, modelo ético só acontece em filme de inquisição. Eu sento as 18 horas pra ver um sol explêndido e me preucupo com as cicatrizes do país. Porra! Não quero planejar o almoço de amanhã comprando almôndegas hoje.
Quero levar a vida devagar pra não faltar amor!...
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
"A marcha e o ritmo das próprias coisas"

O Semestre começa depois de ameaças, neuroses e manias que vão acompanhar muita gente por toda vida. Até eu não resito mais a um pote de álcool em gel dando mole. Só não perdi a mania de aglomerações. Primeira semana assumi o esquema de cuidados, segunda semana descuidei, pra todas as outras aceitei os riscos. Não sei se essa gripe ta no final, mas eu já sou sobrevivente, pelo menos até aqui, numa sala de aula abafada de gente.
E nesse começo de aula vem aquele papo de sempre e um saco mais cheio do que balão de gás hélio. Meu plano de ensino ainda ta pra ser fundado. Futuramente, quem sabe, uma disciplina de Teorias Subjetivas sem avaliações finais e sem crise do pensamento histórico, por favor! Oh, até Hegel jogaria pro alto sua dialética meia boca. Será pecado ofender os mortos no caso do espírito se movimentar? Marx, Marx me traga para o processo de abstração, e logo...
A natureza das coisas me afeta bixo. O que está no devido lugar, o que vem fora de eixo, o convencional e rotineiro contrapondo o bizarro e o exagero. As vezes vivo dentro do meu pensamento, fato, e fica difícil assimilar o movimento dos outros.
E essa crise toda tem lógica. Poxa, fiquei pensando se o meu objeto na história é mesmo o tempo. Ta aí, eu não sei. Tenho dificuldade em lidar com ele. E isso não é coisa de quem tem medo de envelhecer ou reza pra morrer em paz. Mas é que se movimentar dentro desse tempo e olhar pra tudo que parou no mesmo espaço e virou sei lá o que, confunde.
Tenho teses de que um sintoma nunca sai inteiramente do nosso corpo. Assim como epidemias deixam rastros, histórias deixam marcos, baldes furados vão pro lixo. Eu não tenho síntese. Eu não vejo o tempo. Eu saio dessa Era e em um minuto já estou no Rio Nilo.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
A alma e a matéria
Arnaldo Antunes / Marisa Monte / Carlinhos Brown - 2005
Procuro nas coisas vagas ciência
Eu movo dezenas de músculos para sorrir
Nos poros a contrair, nas pétalas do jasmim
Com a brisa que vem roçar da outra margem do mar
Procuro na paisagem cadência
Os átomos coreografam a grama do chão
Na pele braile pra ler na superfície de mim
Milímetros de prazer, quilômetros de paixão
Vem pra esse mundo, Deus quer nascer
Há algo invisível e encantado entre eu e você
E a alma aproveita pra ser a matéria e viver
E a alma aproveita pra ser a matéria e viver
terça-feira, 11 de agosto de 2009
LIGHT
Me assutava pensando em como seria uma seqüência. Coisas desimportantes, pessoas desimportantes, movimentos infiéis e os ocasos distorcendo tudo. A sensação de insaciedade contaminando o corpo. Mais um cigarro fictício na ponta dos dedos e uma reação de engano alívio nos pulmões.
Vai ver foram tardes demais esperando chuva, chuva, chuva. E aquele céu polidinho que não mudava de cena nunca. Enfiava meu rosto debaixo das cobertas e esperava pacientemente que meu desespero ficasse estampado no lençol da cama.
As tardes pareciam infinitas e eu me derramava em overdoses de silêncio. Uma calma pálida e distorcida que não valia a espera de um momento. Uma menina que morria demais.
Quem sabe eu tenha super exigido dos meus sentidos, apurando eles até as últimas conseqüências. Inventando paixões de músculos, ressacas de vento, cócegas sem mãos e beijos em vultos.
Eu até queria um novo gosto mas apreciei demais o exótico a ponto de não reconhecer o que sentia. Por enquanto quero um sossego bacana, encostado numa placa de trânsito que diga, desvie! Vou me contentar com as esquinas.
Não quero mais meus discos velhos de vinil nunca ouvidos ou essas horas loucas em que não me reconheço. Acho que me perdi demasiado e acabei escrevendo tudo meio misterioso. Interior demais, triste demais.
Talvez um silêncio mais tenso.
Vai ver foram tardes demais esperando chuva, chuva, chuva. E aquele céu polidinho que não mudava de cena nunca. Enfiava meu rosto debaixo das cobertas e esperava pacientemente que meu desespero ficasse estampado no lençol da cama.
As tardes pareciam infinitas e eu me derramava em overdoses de silêncio. Uma calma pálida e distorcida que não valia a espera de um momento. Uma menina que morria demais.
Quem sabe eu tenha super exigido dos meus sentidos, apurando eles até as últimas conseqüências. Inventando paixões de músculos, ressacas de vento, cócegas sem mãos e beijos em vultos.
Eu até queria um novo gosto mas apreciei demais o exótico a ponto de não reconhecer o que sentia. Por enquanto quero um sossego bacana, encostado numa placa de trânsito que diga, desvie! Vou me contentar com as esquinas.
Não quero mais meus discos velhos de vinil nunca ouvidos ou essas horas loucas em que não me reconheço. Acho que me perdi demasiado e acabei escrevendo tudo meio misterioso. Interior demais, triste demais.
Talvez um silêncio mais tenso.
Meu coraçõ não quer guardar o mundo. Quer se livrar dele.
Procuro o ‘em mim’ distante dos apogeus, das revoltas armadas em punho, das palavras exaltadas em carne, das carnificinas derramadas em marte...
Dizendo vai tudo bem, vai tudo bom, escondo meu cínico desespero. Minha imcompreensão. E essa falta de ar que nunca passa.
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