
Num 20 de setembro que acabou com 'pisoteio de bosta' e aquela já tradicional voltinha de cavalos pela Av. Brasil de leste a oeste, em direção à glória gaúcha, escrevo meu último texto deveras sentimental! Aja ufanismo pra suportar tanta falta de sentido. Mas ninguém questiona não é? Ora, ninguém quer se questionar, afinal é muito mais cômodo assumir a bombacha e a boleadeira dos pampas e comer churrasco nos fins de semana, do que buscar meia dúzia de perguntas existenciais.
Mas quando as crises psicológicas se assentam o protótipo do Ser berra mais alto que a estética das aparências. E aí meu bem, é inevitável que a velha charada se faça: - Afinal, quem sou eu? Shakespeare com seus personagens, Einstein com suas teorias, Nietzsche com suas negações, Tio Patinhas com seus cifrões, todos já se perguntaram, e sequer o embriaguem-se de Baudelaire nos respondeu. O que é Ser e estar no Ser, simultaneamente, em consciência e sentido?
"Meu nome é Bond, James Bond". Já imaginaram uma crise existencial no agente mais sedutor, viril, atlético, matador, cercado de mulheres e improvável criatura? 007 não se daria o luxo! Assim como Indiana Jones, Jack Sparrow, Tom Cruise, Xuxa para os 'baixiiiinhus'. Todos eles devem saber muito bem quem são e o que fazem.
Não quero dizer que esses 'heróis' são criaturas inquestionáveis, nós é que criamos uma bolha iluminada ao redor deles. Vejamos nossos pais. Eles eram ‘Deuses’ até o dia em que conseguimos sozinhos enxergar a cara no espelho e escovar os dentes. Assim Curinga, Tom, Venom, Dick Vigarista e todas as forças do mal ou os caricatas anti-bem, viveriam em crises de sentido.
Quero dizer mais, quero dizer que nesses mergulhos metafísicos está a constituição de cada um. O que não descobrimos ou ovacionamos como caso consumado, também é um estado de (dês) entendimento que pretende preencher nossos vazios. Uma pergunta sem resposta também é uma resposta à pergunta, uma dúvida não resolvida também é um caminho percorrido.
Muitos chamam de pessimismo uma realidade observada. Muitos chamam de eufemismo um defeito disfarçado. É a densidade dos meus pensamentos que me incluem na parte do terço de pessoas do mundo que apresentam sintomas de depressão. Encaixo-me na minoria depressiva que tem seus dilemas postos por imposições interiores e não apenas por problemas externos. E isso não me enquadra na ala individualista que canta o refrão "cada um por si", muito menos me aprisiona no estado de tristeza que canta o outro refrão "o mundo é uma bosta".
Saindo da tradição histórica redescoberta e chegando ao existencialismo profundo de almas inquietas, roubo a poética de Amarante e sua canção de bolso:
"Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir"



