terça-feira, 11 de agosto de 2009

LIGHT

Me assutava pensando em como seria uma seqüência. Coisas desimportantes, pessoas desimportantes, movimentos infiéis e os ocasos distorcendo tudo. A sensação de insaciedade contaminando o corpo. Mais um cigarro fictício na ponta dos dedos e uma reação de engano alívio nos pulmões.
Vai ver foram tardes demais esperando chuva, chuva, chuva. E aquele céu polidinho que não mudava de cena nunca. Enfiava meu rosto debaixo das cobertas e esperava pacientemente que meu desespero ficasse estampado no lençol da cama.
As tardes pareciam infinitas e eu me derramava em overdoses de silêncio. Uma calma pálida e distorcida que não valia a espera de um momento. Uma menina que morria demais.
Quem sabe eu tenha super exigido dos meus sentidos, apurando eles até as últimas conseqüências. Inventando paixões de músculos, ressacas de vento, cócegas sem mãos e beijos em vultos.
Eu até queria um novo gosto mas apreciei demais o exótico a ponto de não reconhecer o que sentia. Por enquanto quero um sossego bacana, encostado numa placa de trânsito que diga, desvie! Vou me contentar com as esquinas.
Não quero mais meus discos velhos de vinil nunca ouvidos ou essas horas loucas em que não me reconheço. Acho que me perdi demasiado e acabei escrevendo tudo meio misterioso. Interior demais, triste demais.
Talvez um silêncio mais tenso.

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