quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Um porto em cores num sol de amores.



Muito romântico um final de tarde nas beiras calmas (e poluídas) do rio Guaíba. Enquanto casais de alta classe exibem suas lanchas na bela água em que flutuam, namorados românticos seduzem pretensiosamente seus respectivos com línguadas na bomba e escorregões de cuia na borda da saia ou um passeio de cães junta ainda mais os anos vividos do casal ‘mérito ao amor centenário que quebrou barreiras’, eu, filha do carbono e do aço, fumo vagarosamente meu mallboro light e cuido para que a cinza não caia na água e nem a fumaça chegue aos bares paulistas.
Cassete, multas de excepcionais 150 ‘paus’. O Serra encerrou mesmo a vida social de muitos ‘eu sou Cult e meus óculos não tem lentes de verdade e agora o que faço?’. Bem, um motivo a menos pra tragar um cigarro, um motivo a mais pra detestar políticos barrigudinhos e semi carecas e uma justificativa forte para correr es mi destino y burlar la ley...
Ouvi muita balela esses dias. E nem uma delas me convenceu a levar a sério o senado brasileiro. Nem esquerda nem direita me convencem mais. Aliás, os protestos de hoje em dia não são mais os dos nossos ancestrais. Algum dicionário me disse algum dia que esses movimentos deveriam demonstrar sentimento.Ah, muita gente interessada no coração do seu umbigo mesmo. E foda-se a verba pública desviada, desde que meu time ganhe e o vilão da novela global leve uns tabefes. Adianta dizer eu te pego na saída?
Acho mesmo que o patrimônio histórico artístico cultural ou diabo a quatro não vai ser preservado e a delinqüência vai virar arte de rua. Não é herança colonial nem tratado de D. Pedro II, é burrada atual mesmo, com pessoas que vivem agora e vivem cada vez menos. Bonecos compradores que exibem peças milionárias em suas mansões de luxo e servem caviar para poodles branquinhos, enquanto no ‘trabalho’ arregalam os olhos e apontam o dedo com fúria.
Retrato social é papo furado, modelo ético só acontece em filme de inquisição. Eu sento as 18 horas pra ver um sol explêndido e me preucupo com as cicatrizes do país. Porra! Não quero planejar o almoço de amanhã comprando almôndegas hoje.
Quero levar a vida devagar pra não faltar amor!...

3 comentários:

  1. Humm
    Eu tava na passeata do Fora Yeda... bem diferente dos 100 mil de antigamente, mas os tempos são outros e os ideais dos antigos foram para o lixo... os que absolveram Sarney que o digam.

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  2. devagar se vai longe... algo assim diziam os antigos!

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